Dinâmicas Sistêmicas: percepção, pertencimento e responsabilidade

Dinâmicas Sistêmicas: percepção, pertencimento e responsabilidade  

          Escrito por Jaqueline Machado, filha de Leontina Aparecida Machado e  Bento Vicente Machado.  

        Nas dinâmicas sistêmicas, utilizamos diferentes recursos, como pegadas, âncoras, almofadas, movimentos corporais e direcionamento do olhar, para favorecer a percepção das relações e dos vínculos familiares. Esses elementos colaboram nas percepções, a finalidade é soltar emaranhados sistêmicos e possibilita uma experiência de observação e reflexão.

Ao utilizar " pegadas" simbolicamente, representam,  os caminhos percorridos por nossos antepassados e nos convidam a reconhecer que fazemos parte de uma história maior.  Antes vieram outras pessoas. Somos resultados de quem veio antes de nós. 
Em alguns exercícios, o olhar é direcionado para aqueles que partiram, em um movimento de reconhecimento e respeito. Pode-se colocar um participante ou uma âncora para representar. 

Muitas vezes, a resposta que surge é apenas: "Talvez". Esse "talvez" representa uma postura de humildade diante da complexidade da vida e daquilo que não pode ser plenamente explicado.

Na perspectiva sistêmica, busca-se encerrar a constelação em uma posição de maior força e recursos internos. A proposta é favorecer um movimento de abertura do coração, ampliando a sensibilidade, a percepção e a possibilidade de liberar padrões que já não contribuem para a vida da pessoa.

Durante as vivências, algumas pessoas relatam sensações físicas, emoções ou mudanças de percepção. Na abordagem da Constelação Familiar, essas experiências são compreendidas como parte da percepção do campo relacional. É importante lembrar que essas vivências são subjetivas, assim como as vivências da vida.  Impossível alguém que provou algo como por exemplo um sorvete e tenha a mesma sensação.  Há vários eco fatores para descrever a vivência de provar um simples sorvete numa sorveteria.  Assim, a Constelação Sistêmica Familiar é vivências, não teoria.  
        A expressão "Assim como em cima, assim como embaixo" convida à reflexão sobre as conexões entre diferentes dimensões da existência e sobre como nossas atitudes podem refletir em nossas relações. Até mesmo, as atitudes que repetimos de nossos ancestrais, habilidades, potencialidades e também comportamentos que precisam ser resignificados.

Outro princípio importante é reconhecer que cada pessoa ocupa o seu lugar. Entrar pequeno significa aproximar-se da própria história com humildade, sem assumir responsabilidades que pertencem aos outros. O que é de cada um permanece com cada um.

Nas relações humanas, busca-se também o equilíbrio entre dar e receber. Quando esse movimento é respeitado, os vínculos tendem a se tornar mais saudáveis.

A frase "Se eu sirvo à vida, a vida me serve" expressa uma atitude de disponibilidade para contribuir com o bem, reconhecendo que o cuidado oferecido ao outro também fortalece quem cuida.

Bert Hellinger desenvolveu a Constelação Familiar Sistêmica a partir de observações clínicas e fenomenológicas. Alguns autores ligados à abordagem relacionam essas experiências ao conceito de "campo morfogenético", proposto pelo biólogo Rupert Sheldrake. No entanto, essa hipótese não é aceita como consenso pela comunidade científica e permanece controversa. Assim, a Constelação Familiar é compreendida principalmente como uma abordagem fenomenológica e vivencial, e não como uma teoria cientificamente comprovada.

A Constelação Sistêmica Familiar é um convite para estudar a sua própria história e seus relacionamentos, conhecer esse trabalho, vivenciando um espaço de escuta, respeito e reflexão. 

Obras de Bert Hellinger

HELLINGER, Bert. Ordens do Amor: um guia para o trabalho com constelações familiares. São Paulo: Cultrix, 2003. 

HELLINGER, Bert; HÖVEL, Gabriele ten. Constelações Familiares: o reconhecimento das ordens do amor. São Paulo: Cultrix, 2011. 

HELLINGER, Bert. Um lugar para os excluídos. Patos de Minas: Atman, 2006. 

HELLINGER, Bert. O amor do espírito na Hellinger Sciencia. Patos de Minas: Atman, 2009. 


Autores relacionados

SCHNEIDER, Jakob Robert. A prática das constelações familiares. Patos de Minas: Atman, 2017. 

MANNÉ, Joy. As Constelações Familiares em sua vida diária. São Paulo: Cultrix, 2008. 


Base teórica de sistemas

VON BERTALANFFY, Ludwig. Teoria Geral dos Sistemas. Vozes. 

LEWIN, Kurt. Teoria de Campo em Ciência Social. Pioneira. 


Sobre campos morfogenéticos

SHELDRAKE, Rupert. Uma Nova Ciência da Vida: a hipótese da causação formativa e os problemas não resolvidos da biologia. São Paulo: Cultrix, 2013. A hipótese dos campos morfogenéticos foi proposta por Sheldrake, mas não é aceita como consenso pela comunidade científica. 

       



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