Masculino e Feminino na Visão de Bert Hellinger

Masculino e Feminino na Visão de Bert Hellinger

                   Escrito por Jaqueline Machado, filha de                            Leontina Aparecida Machado e Bento  
                                                            Vicente Machado 

Resumo

A Constelação Familiar Sistêmica, desenvolvida por Bert Hellinger, propõe uma compreensão das relações humanas baseada nas chamadas Ordens do Amor, segundo as quais o equilíbrio dos vínculos familiares depende do pertencimento, da hierarquia e do equilíbrio entre dar e receber. Nesse contexto, o masculino e o feminino são compreendidos como forças complementares, cada uma com características próprias que contribuem para a construção da vida conjugal e familiar. Este artigo apresenta os principais conceitos de Hellinger sobre essas polaridades, dialogando com a teoria da Anima e do Animus de Carl Gustav Jung e destacando que tais concepções pertencem ao referencial da Constelação Familiar, não constituindo consenso científico.

Palavras-chave: Constelação Familiar, Bert Hellinger, masculino, feminino, Anima, Animus.

Introdução

Para Bert Hellinger, a família é um sistema vivo no qual cada pessoa ocupa um lugar específico. Quando essa ordem é respeitada, os relacionamentos tendem a fluir de maneira mais saudável. Entre os temas centrais de sua obra está a relação entre o homem e a mulher, compreendidos como expressões de forças complementares que sustentam a continuidade da vida.

Nessa perspectiva, masculino e feminino não representam superioridade ou inferioridade, mas diferentes modos de servir à vida e à família.

O Masculino na perspectiva sistêmica

Segundo Hellinger, o homem está mais orientado para o movimento em direção à vida. Tradicionalmente, assume a responsabilidade pela proteção, provisão e segurança da família, colocando-se a serviço da mulher e dos filhos.

Historicamente, essa função está relacionada à disposição para enfrentar riscos, colocando a própria vida em favor da sobrevivência do grupo familiar. O masculino representa movimento, direção, ação e responsabilidade.

Quando o homem ocupa seu lugar de forma equilibrada, fortalece sua capacidade de liderança, proteção e compromisso com a família.

O Feminino na perspectiva sistêmica

Na visão de Hellinger, a mulher mantém uma relação mais próxima com os ciclos da vida e da morte. Ao gerar um filho, experimenta concretamente o risco inerente ao nascimento, tornando-se profundamente ligada aos processos da existência.

Essa proximidade favorece uma percepção mais sensível das necessidades emocionais da família. O feminino manifesta maior capacidade de acolhimento, cuidado, observação e conexão com a dimensão espiritual da vida.

A mulher tende a perceber detalhes, emoções e necessidades que muitas vezes passam despercebidos ao homem, contribuindo para a coesão e o fortalecimento dos vínculos familiares.

A complementaridade entre homem e mulher

Para Hellinger, o relacionamento conjugal se fortalece quando homem e mulher reconhecem e respeitam suas diferenças, compreendendo-as como complementares.

Em determinados momentos da vida, ambos podem desenvolver características tradicionalmente associadas ao outro polo. Entretanto, a força do relacionamento reside na valorização das diferenças e na cooperação entre elas.

A sexualidade ocupa um lugar sagrado nessa compreensão, sendo considerada uma expressão da própria força da vida, responsável pela continuidade das gerações e pelo fortalecimento do vínculo conjugal.

O amor e a imperfeição

Um dos pensamentos mais conhecidos de Bert Hellinger afirma:

«"Só se pode amar o imperfeito. Somente do imperfeito resulta um impulso de crescimento. O perfeito descansa bem longe da vida normal."»

Essa afirmação destaca que o amor amadurece quando os parceiros abandonam expectativas idealizadas e acolhem as limitações humanas, reconhecendo que é justamente a imperfeição que possibilita crescimento, aprendizagem e desenvolvimento da relação.

Anima e Animus: aproximações com Carl Gustav Jung

Hellinger dialoga, em alguns momentos, com a Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, especialmente por meio dos conceitos de Anima e Animus.

A Anima representa o princípio feminino presente na psiquê do homem, enquanto o Animus representa o princípio masculino presente na psiquê da mulher.

Na leitura sistêmica de Hellinger, a integração dessas dimensões está relacionada ao movimento de tomar os próprios pais.

Quando o homem acolhe o pai em seu coração, fortalece sua identidade masculina, relaciona-se melhor com outros homens e desenvolve maior capacidade de estabelecer relações equilibradas com as mulheres.

De forma semelhante, quando a mulher toma a mãe, fortalece sua identidade feminina, amplia sua valorização do masculino e estabelece relações mais harmoniosas.

Considerações finais

A compreensão do masculino e do feminino proposta por Bert Hellinger procura evidenciar a importância da complementaridade entre homem e mulher na construção da vida familiar. Para o autor, cada um possui uma contribuição singular para a continuidade da vida, para o cuidado da família e para o fortalecimento do vínculo conjugal.

Embora as ideias de Bert Hellinger tenham influenciado significativamente a prática da Constelação Familiar em diversos países, muitas de suas interpretações continuam sendo objeto de debates no meio acadêmico e ainda não encontram consenso científico. Diversos de seus pressupostos carecem de estudos empíricos, pesquisas sistemáticas e evidências que permitam sua validação segundo os critérios da ciência contemporânea. Assim, sua contribuição é compreendida como uma abordagem de caráter fenomenológico e sistêmico, voltada principalmente à compreensão das dinâmicas familiares e à promoção de reflexões sobre os vínculos humanos, sem que suas proposições sejam consideradas, até o momento, cientificamente comprovadas.


Para um artigo sobre "O Masculino e o Feminino na visão de Bert Hellinger", recomendo utilizar principalmente as obras do próprio Hellinger e de Carl Gustav Jung, além de contextualizar a abordagem. Seguem referências em formato ABNT:

Referências

HELLINGER, Bert. Ordens do amor: um guia para o trabalho com constelações familiares. São Paulo: Cultrix, 2003. 

HELLINGER, Bert; TEN HÖVEL, Gabriele. Constelações familiares: o reconhecimento das ordens do amor. São Paulo: Cultrix, 2001. 

JUNG, Carl Gustav. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. Petrópolis: Vozes.

JUNG, Carl Gustav. Aion: estudos sobre o simbolismo do si-mesmo. Petrópolis: Vozes.

JUNG, Carl Gustav. O eu e o inconsciente. Petrópolis: Vozes.

Referências complementares

[Hellinger® – Constelação Familiar Original](https://www.hellinger.com/pt/constelacao-familiar/?utm_source=chatgpt.com) – site oficial com informações sobre as Ordens do Amor e a abordagem desenvolvida por Bert Hellinger. 


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